Devaneios
Raízes
Só quando a gente está longe, convivendo com outras pessoas, percebemos como temos enraizados na gente o jeito de viver da nossa terra. Só morando em outro estado para perceber, de verdade, o nosso jeito de falar, conviver, comer…
E como eu gosto de ser mineira. Adoro não falar as palavras por completo, adoro falar no diminutivo, adoro apreciar boas comidas, adoro tudo.
E adoro poder voltar pra casa, de tempo em tempo, e recarregar as baterias com todo esse nosso jeito mineiro de ser!
A palavra Minas
Minas não é palavra montanhosa
É palavra abissal
Minas é dentro e fundo
As montanhas escondem o que é Minas.
No alto mais celeste, subterrânea,
é galeria vertical varando o ferro
para chegar ninguém sabe onde.
Ninguém sabe Minas. A pedra
o buriti
a carranca
o nevoeiro
o raio
selam a verdade primeira,
sepultada em eras geológicas de sonho.
Só mineiros sabem.
E não dizem nem a si mesmos o
irrevelável segredo
chamado Minas.
Carlos Drummond de Andrade
Tudo diferente
Seguindo o lema de que mudança pouca é bobagem, mudei um bocado de coisas na minha vida, numa tacada só. Mudei de emprego, de cidade, de estado, rs…
Nunca fui muito de mudanças, mas acho que a minha vida precisava de uma chacoalhada geral depois do último ano, que não foi dos melhores. Pintou a oportunidade profissional e eu não deixei passar. Confesso que ainda me pego pensando “o que foi que eu fiz?”, “onde estou?”, “quem são vocês?”, uma loucura. Acordo de madrugada e não sei onde estou, coisa mais bizarra, rs…
Hoje de manhã mesmo, estava dormindo e fez um barulhão, acordei assustada e, imediatamente, pensei: que barulho é esse? Será que mamãe derrubou algo? Segundos depois, lembrei que não estava em casa, que óbvio que não podia ser minha mãe a culpada pelo barulho, tadinha, devia estar toda bonitinha, dormindo lá em casa, hahahaha.
Tudo está diferente. Não é fácil mudar tudo depois de mais de 30 anos vivendo no mesmo lugar, convivendo com as mesmas pessoas. Mais difícil ainda para mim, que amo minha família, sou extremamente apegada, adorava morar na minha casa, sou muito ligada aos meus queridos amigos e adoro tê-los por perto, participar da vida deles e tudo mais. Com a distância, vou ter que me adaptar, aprender a viver longe.
Tenho um desafio grande pela frente, trabalhar o desapego. Coisa difícil essa, viu? Vamos ver se o diferente deixa de ser diferente daqui um tempo. Espero que sim!
1º de abril | 11 anos sem minha avó
Sim, minha avó faleceu no dia da mentira. Só ela mesmo para pregar essa peça na gente, rs… 11 anos se passaram e até hoje é difícil acreditar que não a tenho mais aqui.
Minha avó era uma verdadeira nonna, tipicamente italiana. Era grande, falava alto, movimentando muito os braços, com as falas cheias de palavrões. Tinha um humor sensacional, com tiradas que faziam a gente morrer de rir. Era muito brincalhona, festeira, adorava viajar. Adorava banda, seresta, música italiana. Cozinheira de mão cheia, não tinha ninguém melhor que ela na cozinha. Criou os filhos e passou maior parte da sua vida fazendo doces e salgados. Em Nova Lima, acho que não tinha quem não conhecesse ou tivesse comido as coisas deliciosas da Dona Viroca. Bombom de nozes, cajuzinho, maçãzinha, cocadinha, bombom de bala delícia, enroladinho de salsicha, coxinha, empadão de frango… aah, são tantos que só de pensar a boca enche de água. Isso, claro, sem contar os pratos, como o tradicional Capelletti e sua famosa Queca (bolo que só quem é de Nova Lima conhece, eu acho), os bolinhos de chuva…
Eu fui uma menina criada com vó. Morei na casa dela até meus 9, 10 anos. Tive uma infância pra lá de feliz. Perdi a conta de quantas latas de leite condensado rapei, quantos bombons e salgadinhos comi escondido. A casa da minha avó tinha um jardim grande, muita grama e era uma delícia brincar nele. Tinha lareira! Quantas vezes, no inverno, dormimos na sala, fazíamos um verdadeiro acampamento, eu e meu irmão, dormindo em frente à lareira. Quando nossa casa ficou pronta e mudamos, lembro como fiquei triste. O gostoso era morar com minha avó. E por causa disso, nos primeiros anos pós mudança, eu sempre dormia na casa dela, às vezes, toda semana. Ela me emprestava uma camisola sua, ficava enorme em mim, mas eu adorava. E foi assim, ano após ano. Depois, com o passar do tempo, eu passava na casa dela quase todos os dias e ficava deitada na sua cama, conversando, conversando, conversando. Íamos para a cozinha, comíamos e voltávamos para o quarto, ficávamos na janela, que dava para a rua, vendo as pessoas passarem. Conversávamos sobre tudo, foi uma grande amiga.
Ia a tudo que era evento com ela, desde bingos, viagens à Aparecida do Norte, festas de igreja, tudo. Eu fui a primogênita e isso me possibilitou conviver com a minha avó por mais tempo que os demais netos. Sorte a minha. Tenho tantas recordações dela, tantas coisas vividas, tantos casos engraçados. Lembro de um reveillon inesquecível, que meus pais tinham ido festejar em algum lugar e ficamos na casa da minha avó. Não lembro a idade que eu tinha, talvez 11, 12 anos, mas não vou me esquecer nunca de estar na rua com meus amiguinhos e minha avó chegar com uma bacia enorme de pipoca pra gente e uma garrafa de espumante, hahahahah.. para a gente brincar de estourar, como os adultos. Só a minha avó mesmo.
A presença dela na minha vida foi marcante, linda, inesquecível. Por essas e outras, resolvi deixar aqui registrado um pouquinho da nossa história. E nunca vou deixar de falar dela, sempre contarei casos, relembrarei as coisas. É assim que se celebra a vida de alguém que foi tão importante pra gente!
As fotos estão ruins, são antigaaaas. Vou colocar mais algumas depois, que ilustrem tudo que disse aqui.
Tem músicas que também sempre lembro dela. Essa era uma das preferidas dela, vivia cantarolando.
À minha avó, Elvira Alvisi de Moraes. Filha de Pio Alvisi e Leocádia Gresta. (26/01/1928 – 01/04/2000)
Provações
Quantas provações temos que passar na vida pra atingirmos a paz? Nossa, como é difícil manter a serenidade quando as coisas a minha volta parecem sair totalmente do meu controle.
Sei que as provações existem para evoluirmos como pessoa, crescer nossa força espiritual, elevar a nossa fé, mas putz, chega. Preciso que as coisas comecem a caminhar de uma forma mais tranquila.
Tá, sei que a vida é assim mesmo, somos testados o tempo todo, precisamos reafirmar a nossa fé e tudo mais, então, queria propor um trato. Para a alma dar uma descansada, vamos encerrar as provações por esse ano? Ano que vem pode voltar, prometo. rs…
Saudade
Que raiva de mim por sentir saudade de quem eu não deveria sentir. Vontade louca de arrancar isso do meu peito. Raiva de perder o controle, rs…
Saudade é um sentimento que, definitivamente, não curto sentir.
Musicoterapia
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